O sol torrou todo o meu patrimônio

Aos 79 anos, Bruno Topel, pioneiro da energia solar no Brasil, perdeu dinheiro e virou consultor

 


 

Na história da energia solar no Brasil, Bruno Topel foi o personagem certo na hora errada. Polonês de Varsóvia, ele deixou a Europa, com a família, durante a 2.ª Guerra, viveu na Argentina, formou-se em física e se mudou para o Brasil em 1964. Topel sempre foi um empreendedor. Aos 30 anos, abriu uma fábrica de motores para usinas de aço e 15 anos depois vendeu o negócio para uma multinacional suíça. Ficou milionário.

Com dinheiro no bolso, decidiu viajar pelo mundo com a mulher e os dois filhos, para descansar e mergulhar. Mas já no avião foi apresentado à energia solar fotovoltaica. “Estávamos indo para a Austrália, em 1980, e os comissários distribuíram um panfleto convidando para uma feira de energia”, lembra. No meio do sabático, o físico fez uma pausa para conhecer os sistemas que transformavam a energia do sol em eletricidade.

De volta ao Brasil, decidiu recomeçar e, em 20 dias, criou a Heliodinâmica, a primeira empresa de energia solar fotovoltaica do País. Um ano e meio depois, a fábrica iniciou a produção de módulos solares (um conjunto de placas constituídas de células de silício).

Os equipamentos foram comprados no exterior para que a produção fosse totalmente verticalizada – Topel queria fazer desde as células (o componente mais caro de um projeto solar) até a montagem dos módulos, entregando sistemas completos no Brasil. Ele não apenas foi o pioneiro, como também foi o único, até hoje, a tentar fazer isso no mercado brasileiro. “A Heliodinâmica chegou a ser uma das maiores do mundo na década de 80, respondendo por 5{982920e2f39a5f3af7ccdd1b51ae58334e5604884addbc596b24db6ca92b0971} da produção mundial de módulos”, diz o empresário.

A companhia vendeu seus produtos para empresas como Petrobrás, TV Globo, Cemig, Vale, Embratel, além de órgãos públicos. Quando atravessou o Atlântico no barco Paraty, Amyr Klink levou a bordo dois painéis fotovoltaicos fornecidos pela Heliodinâmica. Topel também representou o País, a convite do governo federal, em uma série de eventos internacionais.

“Ele acabou não conseguindo ir adiante porque não existia mercado para isso”, diz Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, sobre a empreitada de Topel.

Em 2010, depois de ter investindo cerca de US$ 10 milhões do próprio bolso na Heliodinâmica, o polonês naturalizado brasileiro decidiu parar. “O sol torrou todo meu patrimônio. Só sobrou a casa onde moro”, diz. “A empresa não quebrou, ela está hibernando.” Logo depois de encerrar as atividades, Topel usou seu conhecimento para ajudar a mineira Tecnometal, fabricante de máquinas para mineração, a iniciar a produção de módulos fotovoltaicos. Hoje, ela é a única a fabricar esses equipamentos no País, com células chinesas.

Aos 79 anos, Topel presta consultoria para algumas das empresas que vão disputar o leilão de energia no fim de outubro. Da casa que lhe restou, na Granja Viana, em São Paulo, ele diz que não se arrepende do rumo que tomou desde aquele voo para a Austrália. “Perderia tudo de novo, porque tenho convicção de que estava fazendo a coisa certa.”

Nova bateria de íon-lítio chega a 70% da carga em apenas 2 minutos

 

Uma equipe de pesquisadores de Singapura desenvolveu uma nova geração de baterias de íons de lítio que podem receber até 70{982920e2f39a5f3af7ccdd1b51ae58334e5604884addbc596b24db6ca92b0971} de carga em apenas 2 minutos.

 

O responsável pela invenção, o professor Chen Xiaodong, afirma que o maior impacto do invento será no carros elétricos. Com apenas cinco minutos a bateria poderia ser carregada por completo e a duração da nova tecnologia é cerca de dez vezes maior que a atual lítio-ion. Na prática, o ciclo de vida pode render 20 anos.

 

Normalmente, ficamos céticos em relação a novas tecnologias de baterias, mas há motivos para ficarmos esperançosos em relação a essa descoberta. A nova bateria não é exatamente nova. É apenas uma melhoria em relação à tecnologia já existente de íon-lítio.

 

A parte principal vem na forma de nanoestruturas. Em vez do grafite normalmente usado para criar o ânodo da bateria, essa nova tecnologia usa um gel de dióxido de titânio, que é mais barato. É o mesmo material usado no protetor solar para absorver os raios ultravioletas. Os cientistas encontraram uma forma de transformar o composto em nanoestruturas que aumentam a velocidade do processo de recarga. E de fato eles fazem isso: com essa pequena inovação, as baterias carregam até 20 vezes mais rápido e duram até 10 vezes mais.

“Com a nossa nanotecnologia, carros elétricos poderão aumentar o alcance dramaticamente em apenas cinco minutos de recarga, o que está próximo do tempo necessário para bombas de gasolina encherem o tanque dos carros atuais”, disse o Professor Chen Xiadong.

De acordo com os analistas da Frost & Sullivan, o mercado de baterias recarregáveis deve atingir a marca de 24,3 bilhões de dólares em 2016.

O professor associado Chen acredita que a tecnologia chegará ao mercado nos próximos dois anos.

Campo de society no Rio é iluminado com energia gerada por jogadores

Um campo de futebol society no Rio de Janeiro ganhou uma iluminação gerada de forma bastante inovadora: pelos próprios jogadores que entram nela. Inaugurado na quarta à noite, o campo é no Morro da Mineira, região central da cidade. O projeto é financiado pela Royal Dutch Shell, empresa holandesa que atua também no setor de combustíveis (sim, é aquela dos postos de combustíveis). São cerca de 200 telhas de captura de energia desenvolvidos pela startup britânica Pavegen instaladas  na largura e extensão do campo, coberto por uma camada do gramado AstroTurf. As telhas que têm energia gerada pelos jogadores trabalha em conjunto com painéis solares instalados em torno do campo para alimentar o sistema de holofotes.

A criação da Pavegen funciona com um sistema de engrenagens que, quando as telhas são pisadas, giram e agem como geradores. A empresa já instalou esse tipo e tecnologia em estações de trem na Europa, centros comerciais na Austrália e Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow, em Londres. É a primeira vez, porém, que o sistema é instalado em um campo de futebol. “Nós efetivamente transformamos esta comunidade em um experimento de ciência da vida real. Eu acredito que essa tecnologia pode ser um dos futuros modos que nós iluminaremos nossas cidades”, disse Richard Kemball-Cook, presidente da Pavegen.

A inauguração do projeto teve a presença ilustre de Pelé, que se emocionou. Para o rei do futebol, um campo como esse, com uma tecnologia inovadora em termos de geração de energia, pode ajudar a despertar o interesse das crianças não só pelo futebol, mas pela ciência. O lendário ex-jogador acredita que a próxima geração de brasileiros irá ajudar o país a ser tão bem sucedido no campo científico quanto é no futebol. “Meu pai me deu o nome de Edson por causa de Thomas Edison. Tenho certeza que em breve os melhores cientistas do mundo serão brasileiros”, afirmou Pelé.

Fonte: trivela.uol.com.br

Avião movido a energia solar vai cruzar o Atlântico para iniciar volta ao mundo

Dois pilotos irão dos Estados Unidos à Europa em uma viagem de cinco dias e cinco noites em uma pequena cabine 70 quilômetros por hora

 

Avião movido a energia solar vai dar a volta ao mundo

GENEBRA – Dois pilotos suíços planejam dirigir um avião movido a energia solar ao redor do planeta, desafiando a resistência humana e as fronteiras de uma tecnologia cujo potencial ainda tem muito a ser explorado pela indústria, segundo aviadores.

Bertrand Piccard e Andre Borschberg vão se alternar na pilotagem de um ultraleve chamadoSolar Impulse (impulso solar), do tamanho de um Boeing 747 jumbo, mas com o peso de um carro tipo van.

Depois de cruzar os Estados Unidos e completar um voo noturno, os pilotos agora treinam para viajar durante cinco dias e noites seguidos, e se preparam para cruzar oceanos em uma pequena cabine que viaja a 27 mil pés e 70 km/h. As empresas patrocinadoras, entre elas a Swiss Watchmaker Omega e Schindler Holding AG (SCHP), esperam que o projeto de US$ 160 milhões estimule um salto industrial no uso de energias renováveis e na economia de eletricidade. A  Schindler está desenvolvendo elevadores movidos a energia solar.

“Este é o primeiro avião com duração ilimitada: não há limites em termos de horas de voo”, disse Borschberg, 61, no hangar da aeronave em Payerne, Suíça. “O avião comporta apenas um piloto. A principal questão é como torná-lo sustentável também”, brinca ele.

Os pilotos partem para a viagem de cerca de 35 mil quilômetros em março do ano que vem. A decolagem será no Golfo Pérsico em direção ao Leste; o avião cruzará a Índia, a China e os Estados Unidos, antes de retornar via Europa ou África.

Sonecas

Nos voos mais curtos, de até 24 horas, os pilotos não dormirão. Em trechos mais longos, poderão tirar sonecas de 20 minutos a cada três ou quatro horas, mas apenas sobre áreas não habitadas.

A viagem toda vai durar o equivalente a 25 dias, espaçados em vários meses. A cabine é despressurizada, e o piloto deverá usar uma máscara de oxigênio o tempo todo.

“No mundo de hoje, metade da energia que usamos é desperdiçada pelo uso de tecnologias ultrapassadas, máquinas velhas, lâmpadas incandescentes, casas mal planejadas em relação à luz natural, sistemas elétricos e de aquecimento ineficientes, coisas do tipo”, observa Piccard, 56. “O que o Solar Impulse mostra é que a solução existe, e pode ser aproveitada para criar novos empregos. É assim que as pessoas serão motivadas. De repente, aparecem empresas com novos negócios nessa área”, completa.

Bayer AG ajudou a desenvolver os componentes de fibra de carbono para reduzir o peso do avião. A gigante alemã da indústria química também desenvolveu uma espuma isolante que protege as baterias da baixa temperatura, que durante os voos pode chegar a -40 graus. Essa espuma isolante começa a ser usada também em refrigeradores e freezers.

Treinamento de ioga

O avião possui mais de 17 mil células solares fabricadas pela corporação Total SA’s (FP) SunPower, que foram impressas sobre um filme de resina à prova d’água concebido por uma empresa química belga, a Solvay SA. O material é mais fino que um papel e reveste as asas.

“Se essas células solares fossem colocadas em um avião normal, serviriam apenas para a energia gasta no sistema de entretenimento, como as televisões com vídeo a bordo”, explica Piccard.

Ambos pilotos foram bem-sucedidos nas simulações de voos de 72 horas, e têm cinco meses para elevar a resistência para 5 dias de voo. Para prevenir desvios de rota durante as sonecas, o Solar Impulse foi equipado com um sistema de alerta ao aviador se a aeronave sair do prumo. Os pilotos também estão sendo assessorados por um iogue indiano e um clínico suíço: praticam ioga, exercícios de respiração e auto-hipnose para manter as capacidades e o ânimo intactos.

A Nestlé preparou alimentos especiais para a jornada, já  que os pilotos precisam de mantimentos secos, que possam ser armazenados em altas variações de temperatura – entre 35 graus e abaixo de zero à noite. O avião possui um toalete acoplado, o que representa um avanço em relação ao modelo anterior, em que os aviadores precisavam usar garrafas para essa função.

Piccard e Borschberg afirmam que a aeronave é uma mensagem para a indústria de tecnologias renováveis sobre como é possível tomar medidas para uma maior eficiência energética. Este ano, o projeto ganhou o apoio da empresa suíça ABB Ltda. (ABBN), a maior fabricante do mundo de equipamentos que convertem energia solar em eletricidade.

Diversão familiar

Borschberg, antigo membro da força aérea suíça, entrou para o projeto Solar Impulse em 2004, junto a Piccard, um suíço de família aventureira. O avô de Piccard, Auguste, foi a primeira pessoa a chegar à estratosfera; seu pai, Jacques, mergulhou nas águas mais profundas do mundo, na Fossa das Marianas; e Bertrand foi o primeiro a dar a volta ao mundo em um balão de ar quente.

A jornada coincide com a próxima conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Paris. Os pilotos têm conversado com organizações internacionais ligadas ao tema a respeito da possibilidade de uso político do projeto, contou Piccard. O projeto Solar Impulse também lidera uma petição para pessoas apoiarem tecnologias limpas.

“Esperamos que cada vez mais pessoas se unam a nós”, disse ele. “Nosso objetivo não é uma revolução na aviação, é uma revolução na mente das pessoas a respeito da tecnologia limpa.”/Tradução de Livia Almendary