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Os Arranjos Fotovoltaicos e As Instalações Elétricas (1/2)

Uma norma que trata de detalhes das instalações fotovoltaicas vem sendo desenvolvida por grupo de trabalho específico e será lançada como norma complementar da ABNT NBR 5410. O tema foi colocado como demanda de normalização e será baseado nas normas internacionais existentes ou em desenvolvimento. A perspectiva do aumento significativo das instalações fotovoltaicas já mostrou a necessidade de norma específica. A seguir apresentamos os conceitos mais importantes do projeto de norma em desenvolvimento.

A norma irá definir os requisitos de projeto das instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos, incluindo disposições sobre o cabeamento em corrente contínua, os dispositivos de proteção elétrica, os dispositivos de chaveamento, o aterramento e a equipotencialização do arranjo fotovoltaico. O escopo desta norma inclui todas as partes do arranjo fotovoltaico até, mas não incluindo, os dispositivos de armazenamento de energia, as unidades de condicionamento de potência ou as cargas. Uma exceção é a de que disposições relativas às unidades de condicionamento de potência são abordadas apenas onde a segurança das instalações em corrente contínua está envolvida. A interligação de pequenas unidades de condicionamento de potência em corrente contínua para conexão a um ou dois módulos fotovoltaicos também está incluída no escopo desta norma. O objetivo do novo documento é especificar os requisitos de segurança que surgem das características particulares dos sistemas fotovoltaicos. Sistemas em corrente contínua e arranjos fotovoltaicos em particular trazem riscos, além daqueles originados de sistemas de potência convencionais em corrente alternada, incluindo a capacidade de produzir e sustentar arcos elétricos com correntes que não são maiores do que as correntes de operação normais.

Em sistemas fotovoltaicos conectados à rede, os requisitos de segurança descritos nesta norma são criticamente dependentes dos inversores associados com o arranjo fotovoltaico, os quais devem estar em conformidade com os requisitos da IEC 62109-1 e da IEC 62109-2.

Os requisitos de instalação são, também, dependentes da conformidade com a ABNT NBR 5410. Esta norma possui a mesma estrutura da ABNT NBR 5410, permitindo uma leitura em paralelo. Dessa forma, esta norma completa, reafirma ou substitui os requisitos presentes na ABNT NBR 5410, considerando as particularidades dos arranjos fotovoltaicos.

A norma abrange arranjos fotovoltaicos maiores que 100 Wp com tensão de circuito aberto maior que 35 Vcc e menor que 1.500 Vcc.

Com o intuito de melhor ambientação com a nova norma, apresentamos os 5 seguintes termos e definições, em artigo a ser apresentado no próximo mês, apresentaremos mais detalhes do teor da norma.

Arranjo Fotovoltaico

Conjunto de módulos fotovoltaicos ou subarranjos fotovoltaicos mecânica e eletricamente integrados, incluindo a estrutura de suporte. Um arranjo fotovoltaico não inclui sua fundação, aparato de rastreamento, controle térmico e outros elementos similares.

Nota 1: Para os fins desta norma, um arranjo fotovoltaico compreende todos os componentes até os terminais de entrada em corrente contínua da UCP, das baterias ou das cargas.

Nota 2: Um arranjo fotovoltaico pode ser constituído por um único módulo fotovoltaico, uma única série fotovoltaica, ou várias séries ou subarranjos fotovoltaicos conectados em paralelo, e os demais componentes elétricos associados. Para os fins desta norma, a fronteira de um arranjo fotovoltaico é o lado de saída do dispositivo de seccionamento do arranjo fotovoltaico.

Arranjo Fotovoltaico Com Aterramento Funcional

Arranjo fotovoltaico que tem um condutor intencionalmente conectado à terra com o objetivo de garantir o correto funcionamento do sistema, ou seja, por propósitos não relacionados à segurança, por meios que não estejam em conformidade com os requisitos para equipotencialização de proteção.

Nota 1: Tal sistema não é considerado um arranjo fotovoltaico aterrado.

Nota 2: Exemplos de aterramento funcional de arranjos fotovoltaicos incluem ligação à terra de um condutor através de uma impedância, ou aterrar temporariamente o arranjo por razões funcionais ou de desempenho.

Nota 3: Em um inversor destinado a um arranjo fotovoltaico sem aterramento funcional e que utilize uma rede de medição resistiva para medir a impedância do arranjo fotovoltaico em relação à terra, essa rede de medição não é considerada uma forma de aterramento funcional.

Aterramento Para Proteção

Ligação à terra de um ponto de um equipamento ou de um sistema por razões relacionadas à segurança.

Baixa tensão

Tensão não superior a 1.000 Vca ou 1.500 Vcc.

Barramento de equipotencialização principal

Barramento destinado a servir de via de interligação de todos os elementos passíveis de serem incluídos na equipotencialização principal [Fonte: ABNT NBR 5410].

NOTA: Terminal ou barramento onde é feita a conexão do condutor principal de aterramento, dos condutores de equipotencialização e, caso existam, dos condutores de aterramento funcional.

Por Eduardo Daniel – O Setor Elétrico – Edição 122 – 2016